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| DIA DO PERFUSIONISTA
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6 DE MAIO - NASCE UMA PROFISSÃO.
No dia 6 de Maio de 2003, portanto, há exatamente 1 ano, o mundo comemorou os primeiros 50 anos da realização da pioneira operação em que a circulação extracorpórea foi utilizada com sucesso. Aquela data, marcou o nascimento de uma nova tecnologia e, em consequência, de um novo profissional e uma nova profissão. Nada mais justo, portanto, que dedicar o dia 6 de Maio ao profissional cuja atividade é manter a vida dos pacientes, enquanto as funções do coração e dos pulmões são interrompidas para permitir que as lesões intracardíacas sejam corrigidas pelas equipes cirúrgicas, em procedimentos realizados aos milhares a cada ano.
A American Society of Extra-Corporeal Technology (AmSECT), em atenção à essa lembrança, decidiu criar a Semana do Perfusionista, numa demonstração do amplo reconhecimento ao trabalho desenvolvido por seus membros.
Entre nós - e essa observação vale para toda a América Latina - ainda pairam algumas dúvidas e incertezas à respeito dessa profissão que o mundo desenvolvido já resolveu há bastante tempo. Ainda somos vítimas da desinformação e de um relativo despreparo para assumir as diretrizes e o comando da nossa própria profissão. Somos muito mais individualistas e, não raro, acomodados, por julgar, ingenuamente, que a obrigação de tratar dos assuntos do nosso interesse profissional é de apenas uns poucos - os que dirigem a sociedade que nos representa - ou dos outros, mas não nossa.
Temos grandes expectativas em relação ao que a nossa sociedade está fazendo ou vai fazer por nós; temos também, uma extensa lista de reinvindicações que desejamos que a nossa sociedade atenda em nosso favor e para o nosso benefício pessoal. Entretanto, raramente ou nunca, paramos para pensar no que podemos fazer pela nossa sociedade ou pela nossa coletividade. Nossas aspirações trafegam numa via de mão única. Não há contrapartida. E assim, o tempo passa, as gerações se sucedem e, na verdade crúa dos fatos, ainda nem siquer temos a certeza absoluta de que o perfusionista precisa ter formação universitária para assumir as enormes responsabilidades que a sua atividade encerra. Apesar da resposta ser óbvia, amplamente conhecida e praticada em todo o mundo. Com algum desalento, constatamos que nem mesmo temas dessa importância escapam ao nosso peculiar talento para dar um "jeitinho" e acomodar situações que, na verdade, são inaceitáveis.
Devemos aproveitar o dia de hoje como um marco da nossa mudança de atitude. Precisamos pensar o futuro com os olhos voltados para o interesse coletivo. O nosso e o dos pacientes a que atendemos com as equipes em que trabalhamos. Precisamos organizar a nossa profissão, precisamos fazer da nossa sociedade a entidade que realmente nos representa e, acima de tudo, precisamos fazer a sociedade planejar cada etapa do nosso desenvolvimento profissional, estabelecer os requisitos essenciais para o exercício da profissão e respeitá-los, acima de tudo. Precisamos dar aos nossos dirigentes os insumos que lhes faltam para que a nossa vontade seja conhecida e, sobretudo, acatada. Nós devemos ser os membros, os conselheiros, os inspetores e os fiscais da nossa sociedade. Precisamos assegurar a independência dos nossos dirigentes e impedir que suas atitudes sejam o reflexo do pensamento de terceiros, menos comprometidos com a nossa vontade e com o crescimento e o desenvolvimento da nossa profissão.
Devemos aproveitar o dia de hoje como um marco da nossa mudança de atitude. Precisamos demonstrar que desejamos aconselhamento, ao invés de tutela, precisamos de apoio, de ajuda e de parcerias. Mas não precisamos que decidam por nós ou, particularmente, que decidam em nosso lugar.
Precisamos de uma sociedade reformada e reformulada, capaz de atender aos nossos anseios e ao momento que nossa profissão atravessa. Precisamos de uma sociedade moderna, ágil, versátil e sintonizada com as nossas aspirações; que ouça as nossas vozes e faça delas o motor da sua atividade.
Finalmente, devemos aproveitar o dia de hoje como um marco da nossa mudança de atitude. Precisamos pensar na nossa profissão, na nossa sociedade, nas nossas necessidades e, principalmente, precisamos contribuir para que tudo isso se torne a realidade do futuro próximo. Só nós podemos criar os caminhos e alcançar o futuro promissor que nossa profissão oferece. Para que isso ocorra, basta-nos simplesmente, aproveitar o dia de hoje como um marco da nossa mudança de atitude.
Feliz Dia do Perfusionista.
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| TEXTOS CIENTÍFICOS
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CÉLULAS "ASSASSINAS" E IMUNIDADE.
A imunosupressão após grande cirurgia aumenta o risco de infecções. As células "assassinas" naturais desempenham um papel central na defesa contra as infecções. As células "assassinas" maduras podem ser definidas pelo imunofenotipo CD3-CD56+CD16+. Este subgrupo de células constitui aproximadamente 14% das células mononucleares do sangue circulante dos adultos hígidos. As denominadas células assassinas (natural killer cells) constituem um grupo particular de linfócitos T, responsáveis pelas funções de imunidade. As células T citotóxicas (ou células assassinas) tem a propriedade de promover o ataque direto, capaz de destruir microrganismos e, ocasionalmente, até algumas células do próprio indivíduo. Os autores investigaram os efeitos moduladores da imunidade dos diferentes tipos de transfusão de sangue pós-operatória pelo uso de um novo teste destinado a medir a frequência das células precursoras das células "assassinas" no sangue periférico.
Nós medimos a frequência do precursosr das células "assassinas" naturais antes e 5 dias após a cirurgia em 120 pacientes submetidos à cirurgia de substituição de articulações (procedimentos de cirurgia ortopédica). Os pacientes foram divididos em 5 grupos, de acordo com o tipo de transfusão de sangue que receberam:
Grupo 1. Pacientes que não receberam transfusões (n=32)
Grupo 2. Pacientes que receberam sangue homólogo sem depleção de leucócitos (n=8)
Grupo 3. Pacientes que receberam sangue homólogo com depleção de leucócitos (n=30)
Grupo 4. Pacientes que receberam sangue autólogo pré-coletado (n=30)
Grupo 5. Pacientes que receberam sangue autólogo recolhido da drenagem nas primeiras 24 horas de pós-operatório (n=40).
A média de frequência pós-operatória das células "assassinas" naturais foi inferior aos valore pré-operatórios em todos os grupos, exceto nos pacientes que receberam sangue autólogo recolhido da drenagem, que foi maior que nos outros grupos (p< 0,0001).
O estudo conclui que a imunosupressão associada com a cirurgia e as perdas sanguíneas refletiu-se em uma frequência reduzida de células assassinas naturais e na redução do interferon gama. A supressão imunológica foi revertida pela transfusão de sangue autólogo coletado da drenagem. Este achado sugere que o sangue autólogo coletado da drenagem contém estimulantes da imunidade.
O presente estudo demonstra a desvantagem das transfusões de sangue homólogo, em relação à atividade do sistema imunológico dos pacientes submetidos à procedimentos cirúrgicos de grande porte.
Referência: Gharehbaghian A et cols. Effect of autologous salvaged blood on postoperative natural killer cell precursor frequency. Lancet 363, March 2004.
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| APROTININA
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A APROTININA NA PERFUSÃO PEDIÁTRICA.
A presente revisão da literatura inclui todas as publicações de 1993 até 2000, discutindo o uso da aprotinina em crianças submetidas à circulação extracorpórea para tratamento de cardiopatias congênitas. Esta revisão examina uma população de pacientes pediátricos heterogênea que varia de neonatos a adolescentes com até 18 anos de idade e apresenta diversos desafios. Há publicações recomendando o emprego da aprotinina e há publicações em que não foram encontradas diferenças significativas entre o grupo controle e os pacientes que receberam a aprotinina. A literatura sugere que há melhoras nas perdas sanguíneas em pacientes pediátricos submetidos à reoperações mas não há diferenças entre os pacientes submetidos à primeira operação. Existe alguma evidência no grupo neonatal de que as doses elevadas de aprotinina podem atenuar a resposta inflamatória, levando à redução do suporte inotrópico, à extubação mais precoce e uma tendência à redução das perdas sanguíneas pós-operatórias e na duração da internação hospitalar.
Na maioria dos estudos, a quantidade de aprotinina administrada variou mas as "doses elevadas" demonstraram as diferenças mais significativas. Para alcançar uma dose adequada de aprotinina deve-se calcular a dose da droga em relação ao peso ou à superfície corpórea do paciente e deve-se incluir uma dose apropriada no circuito da perfusão, com a finalidade de alcançar uma concentração plasmática entre 200 e 400 UIK/ml.
A incidência de reações anafiláticas relatada na literatura variou de 0,3 a 0,6%. Até o presente, não há evidências que indiquem qualquer contraindicação relacionada ao uso da aprotinina na população pediátrica.
Referência: McDonough J et cols. The use of aprotinin in pediatric patients: a review. The Journal of the American Society of Extra-Corporeal Technology 35,346-349, 2003.
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