PREPARO DOS PACIENTES PARA A CIRURGIA E A PERFUSÃO
Todos os pacientes encaminhados para tratamento cirúrgico são previamente avaliados pelos respectivos serviços de cardiologia, bem como pelos cardiologistas que trabalham junto à equipe cirúrgica. Os pacientes recebem avaliação cardiológica e avaliação clínica completa que confirma o diagnóstico cardiológico, busca doenças sistêmicas capazes de exigir manuseio específico, como diabetes, hipertensão, acidentes vasculares prévios, lesões das carótidas, febre reumática ativa e outras. O diagnóstico cardiológico é confirmado pelo estudo ecocardiográfico e, quando necessário, pelo estudo hemodinâmico e angiocardiográfico.
As crianças são examinadas pelo pediatra e pelo cardiologista; o diagnóstico é confirmado pelo estudo ecocardiográfico
e, quando necessário, complementado por estudo hemodinâmico e angiocardiográfico. A indicação cirúrgica e os fatores de risco operatório são avaliados e discutidos com a equipe de cardiologia pediátrica.
A equipe encarregada do tratamento cirúrgico dos pacientes portadores de cardiopatias adquiridas ou congênitas é multidisciplinar. O paciente pode, dependendo de necessidades específicas, ser avaliado no pré-operatório por um ou mais membros da equipe, com o objetivo de produzir a melhor avaliação cardiológica e clínica dos pacientes encaminhados para
A figura abaixo ilustra a complexidade de um serviço de Cirurgia Cardíaca e a íntima relação com departamentos e serviços que apoiam as atividades do serviço de cirurgia cardíaca. Em cada etapa do tratamento dos pacientes um determinado serviço ou especialista tem a responsabilidade de definir os rumos do tratamento a ser ministrado. O cirurgião deve ser um hábil coordenador de todos os especialistas e serviços e os demais membros da equipe cirúrgica devem colaborar nessa tarefa mantendo um relacionamento cordial com todos os profissionais que direta ou indiretamente compõem o sistema assistencial.
As condutas abaixo referem-se à internação para a cirurgia e ao preparo pré-operatório do paciente.
As tabelas
abaixo relacionam a rotina de exames pré-operatórios,
solicitados para todos os pacientes. Os resultados são
anexados ao prontuário que acompanha o paciente ao
centro cirúrgico.
| Anexar ao Prontuário |
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- Exames Complementares
- Cópia do laudo do Ecocardiograma
- Cópia do estudo Hemodinâmico
- Ficha pré-operatório preenchida
- Outros exames quando indicados
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| Exames Complementares |
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- Rx Tórax (PA e Perfil)
- Eletrocardiograma
- Sangue:
1. Hemograma Completo
2. Grupo Sanguíneo e Fator Rh
3. Coagulograma:
Contagem de Plaquetas, PTT e TAP
4. Bioquímica: Glicose, Uréia e Creatinina
5. Eletrolitos: Sódio, Potássio, Cloro, Cálcio e Magnésio
- Urina: EAS
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Observações:
a. Alterações do coagulograma são contraindicação absoluta para a cirurgia, com ou sem circulação extra-corpórea. O valor mínimo de TAP aceito para a cirurgia é de 75 a 80%. O valor mínimo aceitável para as plaquetas é de pelo menos 100.000/mm3.
b. Outros exames alterados devem ser discutidos com a equipe cirúrgica em tempo hábil, afim de permitir alterar o
mapa operatório.
A tabela abaixo relaciona alguns casos especiais em que exames adicionais são necessários:
| Relação de Exames Adicionais |
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Pacientes com Insuficiência Tricúspide severa:
Avaliar a função hepática: Transaminases (TGOS, TGPS), Desidrogenase Lática (DHL) e Bilirrubinas
Pacientes com Lesões valvulares reumáticas:
Avaliar a presença de atividade reumática:
Título de Antiestreptolisina O (ASO)
Proteina C Reativa (PCR)
Mucoproteinas plasmáticas (MP)
Velocidade de Hemossedimentação (VHS)
Pacientes cianóticos para Operações Paliativas:
Gasometria Arterial (PaO2 e SaO2)
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MEDICAÇÃO E PREPARO PRÉ-OPERATÓRIOS
Anotar no prontuário o uso de medicamentos e suspender ou reduzir as doses, quando tolerado pelo paciente:
Digitálicos - Suspender 2 a 3 dias antes da operação.
Diuréticos - Manter a mínima dose eficaz.
Beta-bloqueadores - Individualizar a dose mais baixa possível, para os
dois a tres dias que antecedem a operação.
Anticonvulsivantes - Manter durante toda a hospitalização.
Anticoagulantes orais - Suspender o uso, cinco dias antes e controlar o TAP. Um mínimo de 75 a 80% de atividade de protrombina é necessário para uma operação eletiva. Quando a anticoagulação é indispensável, como no caso das
próteses mecânicas, substituir o anticoagulante oral pela heparina venosa, que pode ser mantida até o momento da operação. Prefere-se, contudo, administrar a última dose de heparina, pelo menos 4 horas antes da operação.
Aspirina e outros agentes antiplaquetários- Alguns serviços preferem suspender o uso da aspirina, cerca de sete dias antes da operação. Outras equipes, na atualidade, mantém os antiplaquetários até a véspera da cirurgia. Nesses casos o uso de agentes como a aprotinina, por exemplo, contribuem para minimizar as perdas sanguíneas. Está demonstrado que os pacientes com aspirina apresentam perdas sanguíneas apenas ligeiramente maiores (250-350 ml a mais) que os pacientes operados fora do uso de antiplaquetários.
CUIDADOS NA VÉSPERA DA OPERAÇÃO
Obter peso e altura do paciente;
Confirmar pedido de sangue com o Banco de Sangue;
Emitir Escala de Operação para o Centro Cirúrgico.
Confirmar se a família do paciente está ciente da data e hora da
operação, bem como dos riscos envolvidos.
Banho comum cuidadoso.
Laxativo oral para os escolares.
Clister glicerinado para os adultos e adolescentes.
Pré-anestésico a ser prescrito ou recomendado pelo Anestesiologista.
Preencher a Ficha Pré-Operatória.
Observações:
a. Deverão acompanhar o paciente à Sala de Operações:
1. Prontuário Médico
2. Radiografias Recentes
3. Ficha Pré-Operatória Completa |
b. Em condições habituais e eletivas devem ser aceitos resultados de exames realizados até 30 dias antes da operação.
PEDIDO DE SANGUE PARA A CIRURGIA E PÓS-OPERATÓRIO
O sangue mais
adequado para a circulação extracorpórea é o sangue
colhido há menos de 72 horas, em ACD ou CPD. Atualmente,
o fracionamento do sangue permite uma melhor
racionalização do seu uso. Os componentes do
sangue para uso na perfusão devem ter a seguinte
validade:
| Concentrado de Hemácias: | Coletado há menos de 10 dias. |
| Plasma Fresco Congelado: | Longo período de validade. |
| Concentrado de Plaquetas: | Coletado há 6 ou 8 horas. |
Doador
Ambulatorial - Pai, mãe, parente próximo ou
doador voluntário, previamente selecionado e rastreado,
compatível com o paciente, para doação e transfusão
imediata na sala de operações ou no pós-operatório
imediato. O sangue do doador ambulatorial deve ser
colhido durante a operação, em ACD ou CPD, e
encaminhado imediatamente para a sala de operações, sem
refrigerar, para infusão logo após a saída
de perfusão. Em alguns casos de cirurgia em neonatos o sangue do doador ambulatorial pode ser a única alternativa viável para controlar discrasias sanguíneas. Esta doação também é conhecida como doação dirigida. Para a sua obtenção, devido à rigidea da legislação e da regulamentação que rege as transfusões, é necessário um acerto prévio com o banco de sangue.
PEDIDO DE SANGUE:
ADULTOS E PACIENTES ACIMA DE 10 Kg. DE PESO:
- 4 Unidades de Concentrado de Hemácias
- 4 Unidades de Plasma Fresco Congelado
PACIENTES ABAIXO DE 10 Kg. DE PESO:
- 3 Unidades de Concentrado de Hemácias
- 3 Unidades de Plasma Fresco Congelado
- 1 Unidade de Sangue Fresco colhida de Doador Ambulatorial
NEONATOS:
Mesmo que pacientes abaixo de 10Kg.
Ideal :
dois doadores ambulatoriais.
3 Unidades de concentrado de plaquetas.
CIRURGIA SEM CIRCULAÇÃO EXTRACORPÓREA
Adultos:
3 Unidades de Concentrado de Hemácias.
3 Unidades de Plasma Fresco Congelado
Crianças:
1 a 2 Unidades de Concentrado de Hemácias.
1 a 2 Unidades de Plasma Fresco Congelado.
Observações:
Para pacientes em más condições gerais ou com cianose
severa, solicitar unidades adicionais de Plasma Fresco Congelado e Concentrado de Plaquetas (1 Unidade/5Kg. de
peso, máximo de 5 Unidades).
Pacientes com cianose severa e hematócrito acima de 60% devem ser hemodiluidos com plasma fresco ou com soro fisiológico, no pré-operatório. A hemodiluição é feita através de exsanguíneo transfusão parcial.
Pacientes com necessidades especiais podem determinar a necessidade de reservar unidades adicionais de plaquetas, crioprecipitado, fibrinogênio e outros componentes.
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