HEPARINIZAÇÃO DO PACIENTE
A heparinização sistêmica dos pacientes discutida nesse protocolo, considera que os pacientes foram revistos e não há indícios de contra-indicação ao uso da droga, como ocorre com alguns pacientes que fizeram uso recente de heparina e desenvolveram trombocitopenia induzida pela heparina (TIH) do tipo II, com graves riscos de desenvolver tromboses e/ou hemorragias.
As equipes costumam usar doses de heparina entre 3 e 4 mg/Kg de peso (300 a 400 UI/kg). Raras equipes usam doses menores (2 mg/kg) ou doses maiores (5 mg/kg). A dose mais frequentemente usada é a que recomendamos nesta versão de protocolo de heparinização (300 UI/Kg).
NOTA: Se, por qualquer razão, o protocolo de controle da heparinização não puder ser seguido nos seus mínimos detalhes, recomenda-se usar a dose de 400 UI/kg para a anticoagulação do paciente, com o objetivo de aumentar os níveis de segurança dos procedimentos.
DOSE:
3 mg/Kg de Peso (300 UI/Kg peso).
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Usar exclusivamente LIQUEMINE (1 ml. = 5.000 U. = 50 mg.) - É uma heparina de origem bovina e com elevado grau de pureza.
1 ml. = 5.000 Unidades
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1 ml. = 50 mg.
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0,1 ml. = 5 mg.
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A
Heparina é administrada pelo cirurgião, no átrio
direito. Informar à instrumentadora a dose da heparina a
ser ministrada ao paciente, em ml.
Uma maneira simples
de calcular a dose de Heparina a ser administrada ao
paciente é multiplicar 0,06 pelo peso do paciente,
obtendo-se o resultado diretamente em ml.
Dose de Heparina
calculada diretamente em volume (ml)
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Peso x 0,06 = ml.
de Heparina
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| Exemplo: 5 Kg. de peso: |
5 x 0,06 = 0,3 ml. = 15
mg.
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PROTOCOLO DE HEPARINIZAÇÃO
1. Dose inicial: 3
mg./Kg/ de peso.
2. Administrar heparina
adicional a cada hora de perfusão, na dose de 1/3 a 1/4 da
dose inicial (1 mg/Kg).
Obs.: O tempo decorrido
entre a dose inicial da heparina e o início da perfusão
é muito curto, na maioria dos casos. Como a heparina é
realmente consumida durante a perfusão, a dose de
"repique" é contada a cada hora de
"perfusão". Se houver demora para entrar em
perfusão, contar o tempo à partir da dose inicial, para
reduzir os riscos de sub-heparinização.
3. Ao final da
perfusão, somar toda a heparina administrada ao
paciente, incluindo a heparina adicionada ao perfusato,
para o cálculo da dose de protamina.
Os protocolos de
heparinização costumam ser adequados para a maioria dos
pacientes. Entretanto, eles não levam em consideração
as características individuais (efeito anticoagulante,
sensibilidade do paciente à heparina, velocidade de
eliminação, maior ou menor grau de hipotermia, diurese,
etc...). Por essa razão, em determinados casos pode
ocorrer sub-heparinização.
Para o melhor controle
da heparinização durante a C.E.C. usam-se métodos
laboratoriais rápidos e simples. Há diversos métodos
para esse controle. O único método disponível em nosso
meio é o Tempo de Coagulação Ativado pelo Celite
(T.C.A.) que pode ser manual ou semi-automatizado.
PROTOCOLO
DE CONTROLE DA HEPARINIZAÇÃO PELO T.C.A.
Obs.:
Cada amostra do sangue para o T.C.A. deve conter 2 ml.
1. Colher o T.C.A. do
Atrio Direito (AD), pelo cirurgião, antes de administrar
a heparina. É o TCA basal. O valor normal varia de 80 a
120 segundos. (Podem existir pequenas variações, de acordo com o método utilizado ou com o aparelho utilizado para a determinação do TCA com o celite).
2. Administrar a dose
calculada de heparina, no átrio direito, observando-se o
protocolo de administrar 3 mg/Kg. (300 UI/Kg) de peso. Esta heparina
no AD é administrada pelo cirurgião.
3. Colher novo TCA 3 a
5 minutos após a administração da heparina, para
controle da resposta do paciente à dose inicial. Esta
amostra também deve ser colhida antes do início da
perfusão. O valor deve estar acima dos 400-480 segundos. O
valor adequado para o T.C.A. durante a C.E.C. se situa
entre 480 e 600 segundos.
Se o T.C.A. estiver
abaixo do valor desejado, administrar mais heparina, na
dose de 1 mg/Kg. (100 UI/Kg) de peso do paciente. Checar o T.C.A.
novamente 3 a 5 minutos após esta dose de reforço.
4. Controlar o T.C.A. a
cada 30 minutos de perfusão. Se os valores estiverem
abaixo de 400-480 segundos, mesmo que a perfusão esteja
próxima do seu final, administrar heparina adicional. O
objetivo é manter um T.C.A. seguro em todas as fases da
Perfusão. A dose de reforço é sempre de 1/3 a1/4 da dose
inicial.
5. Após a saída de
Perfusão colher o T.C.A. do paciente, no AD. Este valor
é comparado ao T.C.A. obtido após a primeira dose de
heparina e pode fornecer uma idéia aproximada da
quantidade de heparina em circulação no paciente.
O TCA ideal está
situado entre 400 e 600 segundos.
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NEUTRALIZAÇÃO DA HEPARINA
Deve ser iniciada após
a estabilização hemodinâmica e hemostasia inicial e somente
à pedido do cirurgião.
PROTAMINA
A neutralização é
feita com o Sulfato de protamina ou com o Cloridrato de
protamina. Notar que quando se usa o cloridrato pode ser
necessário um pouco mais de protamina que o habitual,
para a adequada neutralização, porque há pequenas
diferenças entre os dois sais. O sulfato de protamina é
o mais recomendado.
SULFATO DE PROTAMINA
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Ampolas de 5 ml.
contendo 50 mg.
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1 ml. de sulfato de
protamina = 10 mg. de Protamina
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A dose
neutralizante de protamina é variável para cada
paciente e oscila entre 1:1 e 1,5:1 da dose de heparina
administrada.
Devemos usar a dose
mínima necessaria para neutralizar a heparina, uma vez
que a Protamina quando administrada em excesso, pode agir
como um anticoagulante.
CÁLCULO
DA DOSE DE PROTAMINA
Somar toda a heparina
administrada ao paciente para a heparinização
sistêmica (dose inicial + doses subsequentes, se
houver). Somar também a heparina adicionada ao
perfusato, com o sangue, plasma, concentrados, etc.
Dose inicial + Doses
subsequentes + heparina no perfusato
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Calcular
a dose inicial de Protamina na proporção de 1:1, ou
seja miligrama por miligrama.
A heparina adicionada
ao sangue ou plasma colocados no oxigenador deverá ser
somada à dose administrada ao paciente, para o cálculo
da dose de protamina, na perfusão pediátrica. Notar que
principalmente nos neonatos, essa heparina é muito
superior à heparina administrada para a heparinização
sistêmica.
Obs. Mesmo
calculando-se a dose da protamina baseada na proporção
de 1:1, já estaremos administrando mais protamina do que
a dose da heparina, porque, na prática há alguma perda
de heparina por:
- Adsorção
no circuito extracorpóreo;
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Consumo
metabólico, durante a perfusão;
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Eliminação
pela urina;
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Sobra
no volume residual do oxigenador ao final
da perfusão.
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IMPORTANTE: A PROTAMINA DEVE
SER ADMINISTRADA DILUIDA E EM INFUSÃO VENOSA LENTA,
PELOS RISCOS DE HIPOTENSÃO OU OUTRAS COMPLICAÇÕES
HEMODINÂMICAS SIGNIFICATIVAS.
Devemos ainda
identificar os possíveis fatores de risco de reações
à Protamina, para a adequada prevenção ou tratamento
de reações indesejáveis.
Em certos pacientes com dificuldades de se obter uma hemostasia satisfatória, antes do fechamento do tórax, podemos manter uma infusão de heparina adicional lentamente (2 horas) no pós-operatório imediato se a equipe cirúrgica estiver certa de que o sangramento não pode ser controlado por medidas cirúrgicas. A condição essencial é que o TCA ainda esteja elevado, apesar da administração inicial de protamina.

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