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ROTEIRO DA PARADA CIRCULATÓRIA PARA NEONATOS E LACTENTES


Independente da técnica selecionada, o perfusto para os neonatos deve ser aquecido antes do início da perfusão. Lembrar que os componentes do perfusato (sangue, concentrado de hemácias e plasma) são preservados no refrigerador e sua temperatura habitual é inferior a 100C.

O resfriamento da criança deve ser lento, com monitorização atenta das temperaturas, respeitando os gradientes de 10oC, entre a temperatura da água e do sangue arterial. A temperatura inicial da água deve ser de 25 a 26oC. Todo o período do resfriamento é feito com fluxo arterial elevado, para permitir o resfriamento homogêneo da criança. Os vasodilatadores devem ser usados para favorecer o resfriamento; a droga mais indicada é a fentolamina; o uso do nitroprussiato deve ser evitado nos neonatos.

Quando se programa a parada circulatória total, o resfriamento é feito até os 18oC no nasofaringe que, geralmente corresponde a 20 ou 22oC de temperatura retal, quando se usam vasodilatadores.

A hipotermia profunda com parada circulatória total requer apenas a cânula aórtica e uma cânula no átrio direito. Os principais detalhes da técnica são os seguites:

NOTA IMPORTANTE

Antes de iniciar a perfusão o perfusato deve ser aquecido até os 34-350C e o pH deve ser ajustado. Toda e qualquer alteração existente no perfusato deve ser corrigida, antes de iniciar a perfusão.

1. Iniciar a perfusão e estabilizar o paciente;

2. Iniciar o resfriamento; avaliar a necessidade de vasodilatadores e manter o fluxo total inalterado, até os 18oC (nasofaringe); envolver o crânio do paciente com sacos de gelo e, a seguir, sob o comando do cirurgião:

3. Parar a bomba arterial;

4. Clampear a linha arterial, acima do shunt arteriovenoso (linha de recirculação dos oxigenadores de membranas);

5. Drenar todo o sangue venoso do paciente para o oxigenador;

6. Clampear a linha venosa; anotar o volume drenado do paciente;

7. O cirurgião retira a cânula do átrio e inicia a correção intra-atrial;

8. Circular o perfusato lentamente, sem fluxo de gás, nos oxigenadores de membrana.

9. Informar o tempo de parada circulatória, a cada 10 minutos;

10. Quando definido por um único período de parada circulatória ( 40 minutos), iniciar o reaquecimento do perfusato, circulando pelo shunt, até os 28oC; colher amostra e reajustar o pH e hematócrito; parar a bomba e clampear o shunt (linha de recirculação).

11. Para o reinício da perfusão, infundir manualmente o volume do paciente até iniciar o retorno venoso, pela cânula reintroduzida no átrio direito. Nesse momento o cirurgião reconecta a linha venosa.

12. Voltar à perfusão lentamente, até alcançar o fluxo total;

13. Iniciar o reaquecimento do paciente e estabilizar a perfusão.

14. Reaquecer até os 36,5oC para terminar a perfusão.

O tempo máximo recomendado para a parada circulatória é de 40 minutos e, apenas excepcionalmente, deve atingir os 50 minutos. Quando a correção cirúrgica não pode ser completada em um único período de parada circulatória, colocam-se cânulas nas veias cava superior e inferior ( o átrio direito está aberto), para um novo período de 5 minutos de perfusão hipotérmica. Um novo período de parada circulatória permite completar-se a operação.

O resfriamento de superfície foi abandonado. Todo o resfriamento é obtido pela perfusão. Se não induzimos vasoconstrição (detectada pela observação das temperaturas do naso-faringe e do reto), se usamos fluxos altos, da ordem de 200 ml/Kg/min e, se resfriarmos lenta e progressivamente, teremos boas condições de proteção cerebral para a parada circulatória.

Durante o período da parada circulatória, colocamos bolsas de gelo sobre a cabeça do paciente, mesmo sem saber se isso é eficaz para a proteção cerebral e mantemos o colchão térmico circulando água gelada.

Após retornar à perfusão, corrigimos novamente o pH e administramos manitol, na dose de 0,5 a 1g/Kg de peso, antes de remover o clamp da aorta. Nesse momento baixamos a pressão da perfusão. Isto se destina a prevenir a "injúria da reperfusão" do miocárdio.

Em Boston, no Children’s Hospital, foi conduzido um estudo comparativo entre a parada circulatória total e a perfusão contínua. Os resultados indicam que a parada circulatória produz mais complicações neurológicas permanentes que incluem convulsões e retardo do desenvolvimento psico-motor. Se a parada circulatória se prolonga até os 60 minutos, a incidência de convulsões torna-se extremamente elevada. Voltar ao Topo da Página




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Maria Helena L. Souza & Decio O. Elias

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