RELATO DE CASO:

O USO DE UM SISTEMA PERSONALIZADO DE OXIGENADOR NEONATAL COM PRIME DE 33 ML.

Jorge Molina, PA-C, CCP, Ronald Gorney PA-C, CCP, Amalia Reyes, Josefina Cruz e Valentín Herrera, MD.

Instituto de Cardiología Ignacio Chavez - Cidade do México, México.
Pediatric Cardiothoracic Surgery Associates. Dallas, Texas, USA.

Originalmente publicado em "The Academy Newsletter Summer 2003".
Reproduzido com permissão dos Editores.

Traduzido do original por: Decio O. Elias & Maria Helena L. Souza



ABSTRACT

Pediatric circuitry requires modifications to best suit the small patient. One of the many continuing challenges for the pediatric perfusionist is the search for lower circuit volumes. The itegration of products from two different companies allowed us the capability to design the lowest oxygenator system. This new system utilizes the isolation of a customized cardioplegia heat exchanger and neonatal oxygenator. This system is a safe and viable alternative to the neonatal and infant patients requiring cardiopulmonary bypass.

Rev Latinoamer Tecnol Extracorp 10,4,2003


RESUMO

Os circuitos pediátricos requerem modificações para suprir melhor os pequenos pacientes. Um dos muitos desafiso para o perfusionista pediátrico é a busca por circuitos de menores volumes. A integração de produtos de duas empresas nos permitiu a capacidade de desenhar o menor sistema de oxigenação. Este novo sistema utiliza o isolamento de um permutador de calor de cardioplegia personalizado e um oxigenador neonatal. Este sistema é uma alternativa segura e viável para os neonatos e pequenos lactentes que necessitam de circulação extracorpórea.


INTRODUÇÃO

A redução do volume do circuito extracorpóreo constitui um desafio permanente ao perfusionista pediátrico. Ao longo dos anos, os esforços tem sido dirigidos à redução do volume para os pacientes menores. Recentes progressos com produtos e circuitos pediátricos menores permitiram o uso de circuitos de menor prime [1-5]. Os oxigenadores para neonatos correntemente em uso são fabricados em formas e moldes o que torna a individualização difícil. Esta modelagem dos oxigenadores pode limitar os clínicos a desenhar circuitos melhores. A modelagem dos sistemas integrados oferece vantagens mas, ao mesmo tempo pode oferecer limitações no desenho do circuito.

Duas empresas no mercado de perfusão pediátrica nos ajudaram a fazer o sistema de oxigenador de menor prime. O permutador de calor do sistema de cardioplegia Terumo Conducer foi a nossa primeira escolha em virtude do seu baixo priming de 7 ml. O oxigenador Polystan Micro foi a nossa escolha de oxigenador em virtude do seu prime de 26 ml. Combinados, os dois tem um prime de 33 ml. o que os torna o sistema de menor prime.

MÉTODOS

Os componentes básicos do sistema são: o permutador de calor do Terumo Conducer para cardioplegia sanguínea (Terumo Corporation, Tokyo, Japan); o oxigenador Polystan Micro (Polystan, Copenhagen, Denmark); a máquina coração-pulmão COBE (COBE Cardiovascular, Arvada, Colorado, USA); e um conjunto de tubos para extracorpórea da COBE. Uma alça artério-venosa de rotina de 240 cm de comprimento de tubo de 1/4" de diâmetro interno com espessura de parede de 1/16" foi utilizada para o circuito. A aspiração para a cardiotomia e as linhas de descompressão eram de 1/4".

O permutador de calor foi conectado ao suporte Terumo Conducer com as linhas de água.
Figura 1.Permutador de calor Terumo Conducer em seu suporte à esquerda da foto com tubos de 1/4 conectado ao oxigenador Polystan individualizado, em seu suporte.

O peso do paciente era 4,4 kg, a altura de 55 cm e a superfície corpórea era de 0,25m2. O diagnóstico era de drenagem anômala total das veias pulmonares do tipo supra-cardíaco. Um perfusato sanguíneo consistindo de uma unidade de concentrado de hemácias, Ringer lactato, hetastarch, aprotinina, bicarbonato de sódio, gluconato de cálcio, manitol, heparina, metilprednisolona, sulfato de magnésio, tipental sódico, brometo de pancurônio e citrato de fentanil alcançou o volume de 384 ml.

O manuseio dos gases sanguíneos durante a perfusão seguiu o regime alfa-stat. O hematócrito pré-bypass era de 44,6% e foi de 27% durante a CEC e de 29% após a perfusão. Tres gasometrias arteriais demonstraram excelente oxigenação com pO2 de 307 com FiO2 de 0,65, pO2 de 279 com FiO2 de 0,80 e uma pO2 de 419 com FiO2 de 0,90. A remoção de dióxido de carbono foi excelente com os tres pCO2 respectivamente de 20,4, 24,7 e 24,6.

A circulação extracorpórea durou 62 minutos com um tempo de clampeamento aórtico de 43 minutos. Os fluxos de perfusào foram mantidos dentro da faixa de 1,8 a 2,5 L/min/m2 com hipotermia sistêmica moderada de 290C no esôfago e temperatura retal de 300C. A saída de perfusão ocorreu com a temperatura esofágica de 37.60C e a temperatura retal em 36,20C.

DISCUSSÃO

Esta combinação de produtos permitiu reduzir os volumes do circuito extracorpóreo, para o benefício do paciente, enquanto ao mesmo tempo oferece uma perfusão pediátrica segura e de qualidade. É através desse tipo de esforços que nós podemos encorajar as empresas a manter as suas pesquisas para aperfeiçoar os seus produtos. Esta combinação personalizada não foi difícil de montar em virtude dos longos anos de qualidade e segurança que esses produtos tem no mercado.

A CEC pode ser conduzida com os fluxos máximos do oxigenador com um pequeno sacrifício do permutador de calor. Mais pesquisas são necessárias para delinear os fluxos máximos do permutador de calor, quando usado como um permutador de calor do oxigenador.

Este sistema de oxigenador combinado nos oferece a possibilidade de usar o sistema de menor prime já produzido. Esperamos que a Polystan deva considerar a fabricação desse oxigenador Micro isolado e que a Terumo continue a produzir o Conducer para tornar esse sistema uma realidade do mercado.

REFERÊNCIAS

1. Darling E, Kaemmer D, Lawson S. et al. Experimental use of an ultra-low prime neonatal circuit cardiopulmonary bypass circuit utilizing vacuum-assisted venous drainage. J Extra-Corp Technol 1998, 30: 184-189.

2. Gorney R, Molina J, Reynolds TA. A modification of the Sarns Conducer heat exchanger as a low prime pediatric cardioplegia system. J Extra-Corp Technol 1994, 26: 37-39.

3. Elliott M. Minimizing the bypass circuit: a rational step in the development of pediatric perfusion. Perfusion 1993, 8: 81-86.

4. Molina J, Gorney R. Pediatric perfusion: an overview of current product selection. Les Cahiers du CECEC. 1992, 38: 43-47.


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