| Revista Latinoamericana de Tecnologia Extracorpórea XII,3,2005 |
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RELATO DE CASO:
OXIGENAÇÃO COM MEMBRANAS EXTRACORPÓREAS E REMOÇÃO DE CO2 EM UM ADULTO APÓS AFOGAMENTO. |
| Ruben Peralta1, Daniel P. Ryan2, Alexander Iribrane3, Michael G. Fitzsimons4. |
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1Departamento de Cirurgia. 2Departamento de Anestesia e Terapia Intensiva. 3Escola de Medicina de Harvard. 4Departamento de Cirurgia Pediátrica. Massachusetts General Hospital for Children, Boston, Massachusetts, USA. |
| Trabalho Original publicado em J Extracorp Technol 37:71-74, 2005. |
| Traduzido do original por Maria Helena L. Souza e Decio O. Elias. |
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Near drowning is a common event among otherwise healthy young people. The development of ARDS in the setting may significantly increase mortality. The traditional means of ventilation may lead to barotrauma. Extracorporeal membrane oxygenation (ECMO) is an effective means to improve oxygenation and remove carbon dioxide, while allowing the lungs to recover from the acute insult. It may be especially successful in those victims with single organ injury. We report the use of ECMO in a young adult with ARDS and pneumonia after near drowning.
Keywords: near-drowning, extracorporeal membranous oxygenation, ARDS, acute respiratory distress syndrome.
Rev Latinoamer Tecnol Extracorp 12,3,2005
O afogamento é um evento comun entre adultos jovens sadios. O desenvolvimento da síndrome da angustia respiratória do adulto (SARA) nestas circunstâncias de quase afogamento pode aumentar a mortalidade significativamente. Os métodos tradicionais de ventilação podem produzir o barotrauma. A oxigenação com membranas extracorpóreas (ECMO) é um meio eficaz para melhorar a oxigenação e remover o dióxido de carbono enquanto permiti a recuperação dos pulmões vitimados por uma injuria aguda. O método pode ser especialmente favoravel naquelas vítimas com injuria de um único sistema. Nós relatamos o uso do ECMO em paciente adulto jovem com SARA e pneumonia após um acidente de afogamento.
Palavras chaves: afogamento, oxigenação por membrana extracorpórea, SARA, síndrome da angustia respiratória aguda.
O papel da oxigenação por membranas extracorpórea (ECMO) em adultos que desenvolvem a síndrome da angustia respiratória aguda (SARA), ainda é controverso [1], apesar dos relatos de melhores sobrevidas [2]. Um estudo de 245 pacientes portadores de SARA, dos quais 62 foram tratados com ECMO, revelou que esta opção pode ser uma boa terapia para os pacientes com formas severas da SARA, para a prevenção da hipoxemia e redução do estress mecanico sobre os pulmões. O percentual de sobrevida de 55% foi comparável aos resultados obtidos com outros tratamentos convencionalmente usados [3]. O ECMO é usualmente indicado em adultos com insuficiência respiratória quando a mortalidade esperada é superior a 80% [4]. Os percentuais de sobrevida de adultos tratados com ECMO estão entre os 50% e 80%, nos centros com maior experiência. Os recentes progressos na tecnologia e nos protocolos de ECMO possibilitaram a redução da mortalidade e das complicações, tais como hemorragias, rutura dos tubos do circuito, formação de trombos, coagulopatia difusa, infecção e sepsis, desse modo renovando o interesse nessa tecnologia [5]. Correntemente não há um protocolo unificado para o manuseio de pacientes com as formas mais severas de falência respiratória e o ECMO pode ser oferecido em alguns centros quando um paciente não se recupera enquanto submetido aos demais tipos de tratamentos.Nós relatamos um caso de tratamento com sucesso de um adulto vítima de semi-afogamento com SARA e pneumonia, mediante a aplicação da ECMO.
DESCRIÇÃO
Uma jovem de 21 anos de idade dirigia seu carro quando o mesmo foi lançado em água salgada, de uma ponte com 9 metros de altura. Ela permaneceu submersa por aproximadamente 10 minutos. O serviço de emergência relatou a ocorrência de vomitos e respiração pré-agônica após sua remoção da água. A intubação foi difícil e a paciente foi transportada com respiração por máscara. Após chegar no departamento de emergência a pressão arterial era de 109/35 mmHg, a frequência cardíaca era de 100 batimentos por minuto, a frequência respiratória era de 4 inspirações por minuto, a temperatura retal era de 32,9 gráus C, a pontuação na escala de coma de Glasgow era 7, e a saturação de oxigênio era de 75% enquanto respirava oxigênio puro com uma máscara sem reinalação. O exame físico mostrou uma mulher desorientada e em severa insuficiência respiratória. Apresentava múltiplas lacerações faciais, a traquéia na linha média, roncos respiratórios bilaterais, batimentos cardíacos normais e sem evidências de traumatismo torácico. O abdomem era normal. O eletrocardiograma mostrou ritmo sinusal e não havia anormalidades.
A radiografia de tórax mostrou infiltrados bilaterais. A tomografia computadorizada do crâneo, do abdomem e da pelve não mostrou edema ou fraturas. A tomografia computadorizada do tórax (figura 1) mostrou opacificações difusas bilaterais sugestivas de edema pulmonar e consolidação dos lobos inferiores consistentes com o diagnóstico de aspiração. Ela foi intubada para o controle da insuficiência respiratórias e das vias aéreas.
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| Figura 1. CT do tórax no dia 1 demonstrando atelectasia e aspiração. |
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| Figura 2. CT do tórax demonstrando infiltrados bilaterais difusos compatíveis com a SARA. |
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