REVISTA LATINOAMERICANA DE TECNOLOGIA EXTRACORPÓREA


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***** EDITORIAL *****

A PERFUSÃO E O PERFUSIONISTA NO SÉCULO XXI

Dentre os diversos artigos publicados em nossa revista, chama nossa atenção o interessante trabalho de Bennett A. Mitchell, como sabemos, um dos pioneiros da nossa área de trabalho e criador da denominação Perfusionista, que avalia as preocupações de muitos colegas, em relação aos provaveis efeitos da crescente introdução de procedimentos minimamente invasivos, sem o uso da circulação extracorpórea (CEC), sobre o nível de emprego em perfusão, no século XXI.

A adoção da cirurgia coronária direta minimamente invasiva (MIDCAB), sem o emprego da circulação extracorpórea, permite a revascularização adequada de um substancial contingente de pacientes. Contudo, sempre há necissidade da presença de um perfusionista e do preparo preliminar do circuito extracorpóreo, para uso imediato na eventualidade do surgimento de qualquer fator que demonstre sua necessidade. A revascularização de um significativo número de pacientes, como os portadores de lesões extensas e múltiplas, lesões dos vasos da parede posterior do coração, lesões do tronco da coronária esquerda, lesões valvulares associadas, pacientes hemodinamicamente instaveis, para citar apenas alguns, é melhor conduzida segundo a metodologia convencional, com o suporte da CEC.

A contínua ampliação das indicações da angioplastia, dos "stents", da revascularização à laser, dentre outras, tem contribuido para prolongar a vida de incontaveis indivíduos e, de um certo modo, fazer com que ao longo do tempo, um contingente adicional de pacientes seja candidato à novos procedimentos (reoperações).

A adoção das técnicas de circulação extracorpórea para a cirurgia não cardíaca (traqueal, renal, neurocirurgia), para os transplantes de fígado, acrescenta um outro grupo de pacientes aos que se utilizam da CEC.

A expansão da utilização do suporte circulatório nas unidades de terapia intensiva, nos laboratórios de hemodinâmica e os programas de assistência circulatória e ventilatória prolongados (ECMO e ELSO), ainda incipientes em nosso meio, sem dúvida irão contribuir para um significativo aumento das necessidades de perfusionistas treinados nas mais diversas modalidades da circulação extracorpórea.

É altamente improvavel que ocorra qualquer redução das necessidades de perfusionistas treinados, nos próximos anos, nos países com maior estágio de desenvolvimento econômico e tecnológico.

Na América Latina, em que os indícios de recuperação econômica e de aceleração do desenvolvimento são visíveis nos dias atuais, a expansão do acesso populacional aos recursos tecnológicos mais sofisticados, faz prever um significativo crescimento das aplicações da tecnologia extracorpórea, em todas as suas modalidades.

Os principais dados econômicos e epidemiológicos demonstram que, no estágio atual de desenvolvimento do nosso continente, nosso atendimento se limita à menos de 20% das necessidades reais de procedimentos que empregam a circulação extracorpórea. A expansão natural, aos níveis próximos dos que são praticados no mundo desenvolvido, indica um crescimento de, pelo menos, cinco vêzes.

O crescimento econômico e o contínuo aperfeiçoamento dos sistemas de sáude indicam que a profissão de perfusionista deverá apresentar um crescimento substancial, nos primeiros anos do século XXI, na América Latina. A experiência tem demonstrado em todas as áreas, que a ampliação das necessidades e o acirramento da competição privilegiam os profissionais melhor treinados. É indiscutivel que o perfusionista qualificado, nos próximos anos, deverá encontrar um mercado de trabalho com mais opções e com remuneração substancialmente mais compensadora, em relação aos profissionais em atividade nesta última década, caracterizada pela estagnação econômica e redução de investimentos.

Maria Helena


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