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REVISTA LATINOAMERICANA DE |
Caros Colegas:
Tornou-se bastante comum, nos dias atuais, a preocupação de muitos perfusionistas, em relação ao seu emprego e em relação à sua atividade profissional, devido ao crescimento do número e da variedade de procedimentos terapêuticos que são realizados sem o suporte da circulação extracorpórea. Somam a cirurgia minimamente invasiva aos procedimentos terapêuticos realizados com o emprego dos métodos invasivos não cirúrgicos, como as angioplastias e valvuloplastias. Cria-se um certo temor de que o número de procedimentos que necessitam de perfusão caia acentuadamente, a ponto de comprometer o nível de emprego e de atividade dos perfusionistas. Já tivemos a oportunidade de discutir esse tema em outras ocasiões, contudo, é bom lembrar que o perfusionista moderno possui um "banco de informações" e um treinamento prático que permitem uma expansão acentuada dos limites das suas atividades.
Nossos antecessores, nos primeiros dias da profissão, conduziam a circulação extracorpórea e a hemodiálise. Entretanto, o acúmulo de trabalho no centro cirúrgico fez com que, pouco a pouco, os procedimentos de hemodiálise fossem transferidos para a responsabilidade de outros profissionais. Estes, ao cabo de algum tempo, assumiram definitivamente a realização daqueles procedimentos. Apesar dessa primeira divisão, o espectro das atividades do perfusionista ampliou-se consideravelmente, especialmente nos últimos anos.
Uns poucos perfusionistas tem alguma razão em seus temores, porque trabalham em centros nos quais a cirurgia de revascularização do miocárdio corresponde à quase totalidade dos procedimentos cardiocirúrgicos realizados. E, sem dúvida, a cirurgia minimamente invasiva, sem o concurso da circulação extracorpórea está determinando uma acentuada redução do uso da circulação extracorpórea, para a revascularização do miocárdio. Em alguns centros a redução já ultrapassa a casa dos 50%, devido à seleção dos casos aceitos para intervenção. Ao contrário, nos serviços acadêmicos e na maioria dos serviços gerais, a influência da cirurgia sem circulação extracorpórea é menos acentuada.
A American Society of Extracorporeal Technology (AmSECT), a mais antiga sociedade de perfusionistas, conceitua com muita clareza o espectro das atividades que podem ser desempenhadas pelo perfusionista moderno, em concordância com a sua formação teórico-prática. Segundo a entidade, a prática da perfusão é definida como o exercício das tarefas necessárias ao suporte, tratamento, mensuração ou suplementação do sistema cardiopulmonar e circulatório dos pacientes. Um perfusionista é um indivíduo adequadamente treinado e qualificado por educação acadêmica e clínica, que opera o equipamento de circulação extracorpórea durante qualquer situação médica em que é necessário oferecer suporte ou substituir as funções cardiopulmonares ou circulatórias dos pacientes. Além disso, o perfusionista assegura a manipulação das funções fisiológicas pela monitorização das variáveis necessárias. Essa atividades, mediante a prescrição de um médico e em conformidade com a regulamentação do hospital, incluem mas não se restringem ao desempenho, com segurança, das seguintes atividades:
É indiscutível que o perfusionista encontra, dentro do moderno ambiente hospitalar, uma ampla gama de atividades especializadas, para cuja realização está devidamente preparado e habilitado.
Não devemos, portanto, preocupar-nos com a quantidade de empregos em perfusão; esses serão crescentes, na medida em que os hospitais acompanhem os progressos da Medicina e incorporem os modernos recursos de diagnóstico e de tratamento. Devemos, sim, nos preocupar, com o nível de qualidade do emprego, em todos os seus aspectos, inclusive a remuneração.
É tempo de estabelecer as condições mínimas de trabalho, capazes de oferecer uma razoável margem de segurança aos pacientes que atendemos. É tempo de estabelecer critérios mais uniformes para a prática das nossas atividades. É tempo de estabelecer um currículo mínimo para a formação dos novos colegas, que leve em consideração a ampla gama de atividades disponíveis aos profissionais em um futuro próximo. É tempo de estabelecer os critérios para a avaliação do desempenho e da competência. Apenas dessa forma teremos a oportunidade de conhecer a nossa verdadeira qualificação para o desempenho das atividades que estão ao nosso alcance e ter a oportunidade de reciclar os nossos conhecimentos e aumentar o nosso "banco de informações".
O hospital moderno está cheio de oportunidades de trabalho para o perfusionista. É preciso que estejamos preparados para assumir as nossas responsabilidades. Nos dias atuais e, mais verdadeiramente, num futuro muito próximo, a qualidade do emprego vai depender do grau de qualificação profissional. Esta é uma verdade antiga e que vai permanecer válida, enquanto houver espaço para a livre iniciativa.
| Maria Helena |