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REVISTA LATINOAMERICANA DE |
Caros Colegas:
Na manhã de 25 de Julho de 2002, às 03,00 horas, o mundo da Perfusão foi tomado de tristeza e pezar, em virtude do falecimento de um dos principais pioneiros da circulação extracorpórea e, para nosso orgulho, membro do Conselho Editorial da nossa Revista Latinoamericana de Tecnologia Extracorpórea, Bennett Mitchell ou simplesmente Ben, como gostava de ser chamado e como era conhecido internacionalmente.
Ben nasceu em 7 de Dezembro de 1923 en Trinidad, mas viveu a maior parte da sua exemplar vida em Nova Yorque, no bairro do Bronx, de que tanto gostava, como cidadão dos Estados Unidos da América do Norte.
Nesse Memorial, vamos prestar a nossa mais justa homenagem a um perfusionista que, muito mais que um colega, foi um verdadeiro amigo, mentor, conselheiro, professor e um exemplo para um numeroso grupo de perfusionistas latinoamericanos.
Ben foi a verdadeira enciclopédia viva da tecnología extracorpórea. Tinha sempre a explicação prática e científica para os fenômenos da perfusão e todas as suas implicações na fisiologia do ser humano. Era um privilégio desfrutar da maravilhosa conversa de Ben, sempre rica de detalhes sobre uma tecnología que viu nascer e ajudou a construir, com contribuições da maior importância.
Entre as inúmeras contribuições de Ben à nossa área de trabalho, se destacam a criação de um tipo de colchão térmico, para auxiliar o reaquecimento dos pacientes e o reservatório de cardiotomia. Além disso, Ben criou o termo perfusionista, para designar os profissionais que somos hoje, em substituição a diversas e imprecisas denominações, como técnico de perfusão, rapaz da bomba ou moça da bomba.
Ben foi o primeiro profissional não médico a ministrar a perfusão, depois da pioneira operação do Dr. John Gibbon, em que sua esposa, Mary Gibbon, foi a perfusionista.
Ben foi um verdadeiro professor itinerante. Graças à sua inesgotável energia e desprendimento ensinou perfusão a todos os que o procuravam. Sua imensa experiência e seu conhecimento valeram o nome de enciclopédia de perfusão, como os amigos gostavam de citar, ao falar de Ben.
Ben foi reconhecido pela Sociedade Americana de Tecnología Extracorpórea como o seu verdadeiro embaixador, devido à frequência com que representava aquela organização em todo o mundo e, muito particularmente, na América Latina.
Ben recebeu todas as condecorações que a sua sociedade concede, inclusive o Prêmio Gibbon, em 1955, para integrar a seleta galeria junto aos ilustres professores Lillehei, Cooley, Kolobov, DeBakey e Bartlet, para citar apenas alguns.
Ben foi Chefe de Perfusão e Professor na Universidade Cornell, em Nova Yorque. Já aposentado do trabalho prático, continuou a contribuir com numerosas instituições e revistas e enobreceu com seu nome o nosso conselho editorial.
O falecimento de Ben ocorreu durante sua convalescença, em sua residência. O perfusionista e educador internacionalmente reconhecido sofrera um acidente vascular cerebral e tinha uma doença crônica debilitante.
Dizer que Ben Mitchell fez uma carreira altamente gloriosa é pouco. Ben é conhecido e profundamente respeitado em todo o mundo, por sua enorme contribuição à arte da circulação extracorpórea, desde os seus primeiros dias. Além da AmSECT, Ben era membro honorário da Academia Americana de Perfusão Cardiopulmonar e de diversas outras organizações internacionais.
Em 1990 Ben recebeu o prêmio do Reconhecimento Perpétuo do Presidente da AmSECT, em retribuição aos numerosos serviços prestados à AmSECT e à profissão de perfusionista.
Ben tinha ainda uma grande facilidade em fazer amigos e mantê-los em todos os lugares onde foi professor, instrutor e conferencista. Ben era tão popular na China quanto no Brasil, na Argentina e na terra onde vivia.
Eu tive a fortuna de conhecer esse ser humano maravilhoso. E também me sentí muito honrada em ser chamada por ele de colega e amiga.
Pelos serviços prestados à ciência, à educação e à comunidade internacional de perfusionistas, nós honorificamos a distinguida vida de Ben Mitchell e devemos guardar para sempre as suas contribuições às nossas instituições e às nossas vidas. Nós que fomos alcançados pela sua invulgar clarividência, sua energia e sua incansável devoção à nossa profissão, vamos sentir muitas saudades.
Que Deus ilumine o seu caminho em direção à eternidade.
| Maria Helena |