A dissecção aórtica, hematoma dissecante da aorta ou ainda, o aneurisma dissecante, é um evento catastrófico que consiste na clivagem ou na separação da camada média da aorta, produzida pela penetração do sangue na parede do vaso. Forma-se um hematoma progressivo que divide a camada média em duas lâminas que delimitam um falso trajeto para o sangue, denominado falso lumen, cuja parede externa é constituida por parte da camada média e pela adventícia da aorta. A dissecção aórtica é uma entidade clínica bem individualizada e independente dos aneurismas verdadeiros; ocasionalmente, contudo, a dissecção da aorta pode ocorrer à partir de um aneurisma pré-existente.
A dissecção aórtica é um evento de início súbito e de evolução rápida, associada à dor torácica intensa e sinais periféricos de choque. Pode ocorrer em indivíduos jovens, porém, é mais frequente entre os 50 e 70 anos de idade. Acomete o sexo masculino, na proporção de aproximadamente 3:1, em relação às mulheres.
O diagnóstico de dissecção aórtica pode ser difícil, devido à variabilidade da apresentação clínica. O diagnóstico diferencial da dor torácica severa, deve ser feito dentre as seis seguintes entidades, todas potencialmente letais:
infarto do miocárdio, angina instável, pneumotórax hipertensivo, pericardite aguda, embolia pulmonar e dissecção aórtica.
A motalidade da lesão está entre 1 a 2% por hora, nas primeiras 24 a 48 horas. Nos Estados Unidos ocorrem anualmente cerca de 25.000 casos de dissecção aótica. No Brasil devem ocorrer cerca de 12.000.